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A Rota de Emigração Chinesa

A emigração dos chineses para outros países não é um fenómeno recente. De facto, no surgir da Rota da Seda apareceram também o conhecimento de novos territórios e a lucrativa actividade comercial despertava a curiosidade de alguns. Contudo, durante a Dinastia Qing (em 1712), o imperador decretou os movimentos migratórios como um desrespeito pela pátria. Na época, os filhos tinham de ficar em casa para cuidar e limpar os túmulos dos seus antepassados e dar continuidade ao nome da família.

A primeira emigração chinesa em massa situa-se entre 1849 e 1882 com destino aos Estados Unidos da América, mais especificamente para Califórnia, incentivados pela “Corrida ao ouro da Califórnia”. Durante esse período a escravatura foi abolida e os Estados Unidos da América precisava de mão-de-obra barata, por isso, a entrada para o país não era difícil. Nessa época os emigrantes eram originários das províncias de Guangdong e Fujian. Este movimento acaba em 1882 com o decreto do “Acto de Exclusão Chinês” e no fim desde, a população chinesa nos Estados Unidos da América era de 110.000.

Chineses na Califórnia
O segundo período de emigração vai desde 1882 a 1965. Nessa fase, apenas era permitido a entrada de diplomatas, comerciantes e estudantes nos Estados Unidos da América. O movimento anti-chinês que levou ao “Acto de Exclusão Chinês”, fez com que os chineses se unissem e formassem os “Chinatowns” e começaram também a trabalhar por conta própria abrindo restaurantes e lojas chinesas.
Durante a 2ª Guerra Mundial era apenas permitido a passagem de classes superiores de burguesia e mais tarde a emigração de jovens, crentes no chamado “American dream”.

Entre 1980 e 1990, os emigrantes chineses têm mudado o rumo de destino para Europa e são, principalmente, originários das províncias de Zhejiang e Fujian. Recentemente, os emigrantes chineses vem de toda a parte da China mas com um maior destaque para a zona de Dongbei. Dentro da Europa, Itália e Espanha são os mais escolhidos pelos chineses. Em Itália, a população chinesa aumentou de 18.700 em 1991 para 48.650 em 2000, e em Espanha, num espaço de 10 anos, a população chinesa atingiu os 36.000 em 2001.
Chinatown nos Estados Unidos de América
O aumento do número de estudantes chineses a prosseguir estudos fora do seu país também contribuiu para o aumento dos movimentos migratórios. Nos Estados Unidos da América, o maior grupo de estudantes estrangeiros é de origem chinesa, entre 2000 e 2001, tinham cerca de 60.000 estudantes chineses. Em 2001, o Reino Unido tinha cerca de 18.000 estudantes chineses, o que representou um aumento de 71% desde 2000. No mesmo período de tempo, a Holanda registou um aumento de 50% relativamente a estudantes de origem chinesa. Nos Estados Unidos da América, a maioria dos estudantes chineses tendem regressar ao seu país de origem após terem concluído os estudos, mas na Europa, apenas metade dos estudantes chineses optam por regressar ao país de origem.
Nos últimos anos, Europa têm criado regras mais rígidas quanto à permissão de entrada de emigrantes devido ao número crescente de desempregados dos próprios países, por isso, o governo chinês têm incentivado a emigração de chineses para a África.

O aumento dos movimentos migratórios nas últimas décadas está relacionado com as reformas de 1978 e com o aumento da população chinesa. Sob o comunismo de Mao Tse-tung a taxa de natalidade disparou com base numa política de incentivo à natalidade derivado do provérbio “A união faz a força”. E ao contrário do que se pensa, as zonas de onde os emigrantes são originários, não são os mais pobres da China. A província de Zhejiang, por exemplo, é até considerada uma zona bastante rica. No entanto, a ambição de uma melhor qualidade de vida baseado em relatos de familiares de emigrantes, ou a simples oportunidade de poder ter mais filhos continuam a estimular a deslocação para outros países.

Os primeiros chineses chegaram a Portugal em 1920. Nos anos 70, Portugal tinha cerca de 7.500 chineses. Entre 1991 e 1998, o número de residentes chineses aumentou de 356 para 2.477 pessoas e recentemente, Portugal tem 4.595 chineses legalizados no país.
Actualmente são mais do que 20 mil.

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