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Crescentes montanhas de lixo assombram Pequim

O que fazer com o lixo é um dos maiores problemas que os planejadores  urbanísticos enfrentam na China.

No subúrbio Tongzhou de Pequim as pessoas tiveram de aprender a viver com o cheiro do lixo. Num bairro onde costumava estar rodeado por campos, um enorme aterro coberto por lona  cresce como uma montanha verde entre os prédios e fábricas.
"Todo o lixo de Pequim vem para aqui todos os dias" explica uma lojista de meia idade cuja loja localiza-se perto do aterro. "Como poderia não cheirar mal?"

Lidar com o lixo que resulta da crescente classe média e de um crescimento económico anual de dois dígitos nos últimos 10 anos tem sido o maior problema dos planejadores urbanísticos. Como a maior parte do lixo, que vai desde restos de comida, detritos da construção, plásticos, é transportado para o aterro, os legisladores estão a tender para incineração (cremação) à medida que o volume aumenta apesar de alguns protestos locais e grupos ambientais.

Em Beichensu, a maioria dos aterros localizam-se em bairros de trabalhadores que vem de outras zonas, fora de Pequim as rendas são mais baratas, apenas 800 Renminbi (correspondente a 127 dólares americanos) por mês por um quarto individual.
A expansão urbana de Pequim tornou o problema do lixo mais visível à medida que os inúmeros aterros estavam já à beira (nos subúrbios) da cidade, onde muitos trabalhadores de outras regiões vivem.

Enquanto China produz menos lixo por pessoa em relação a outros países como os Estados Unidos da América, o volume total é cerca de 300 milhões de toneladas de lixo anual, o maior do mundo e com tendências crescentes. A população de 20 milhões de habitantes de Pequim produz 23 000 toneladas de lixo por dia, o equivalente ao peso de nove piscinas olímpicas. Graças a um rendimento crescente e a um melhor nível de vida, China gera lixo a uma taxa que cresce o dobro em relação à taxa do crescimento da população nas últimas décadas. 

Até nas cidades mais bem geridas como Pequim, o governo luta contra o volume crescente de lixo. Desde 2005 a 2010, a capital colheu em média 3 900 toneladas de lixo por dia que vai para além da sua capacidade de tratamento do mesmo (dados estatísticos do governo).

Pequim não é a única, cidades como Nova Iorque e Londres enfrentam os mesmos desafios contra o lixo urbano e também eles deparam-se com a falta de soluções e enquanto a opção do aterro começa a esgotar o método de incineração tem gerado protestos por motivos ambientais.

Na capital, cantos esquecidos como Tongzhou tem sido o lugar de despejos ilegais por muitos anos. Em 2010 os despejos despertaram a atenção dos media e o governo lançou um plano de limpeza com um orçamento no valor de 10 biliões de Renminbi para tratar os aterros ilegais e construir novas infra-estruturas. "Costumava haver uma grande lixeira aqui, mas eles vieram e levaram todo o lixo" disse um motorista frequente na estrada onde antes havia despejo ilegal. Agora os campos estão cheios de sacos de plásticos e de detritos da construção mas nenhuma lixeira visível. 

Enquanto Pequim pode ter limpo muitos despejos, o problema persiste. É menos grave nas zonas rurais, nessas área existe um sistema de colheita colectiva do lixo mas o problema vai se tornar mais sério. Nas cidades grandes estão a lidar o problema com a incineração, China espera construir 90 edifícios para o propósito nos próximos 3 anos e esperam aproveitar a energia que resulta do processo de incineração.

Pequim que apenas queimou 10 por cento do seu lixo em 2010 pretende aumentar a capacidade para 40 por cento em 2015 onde planeiam a construção do maior incinerador de Ásia. Claro que a melhor solução a longo prazo seria a redução do volume de lixo e uma melhor gestão de reciclagem desde o inicio até ao fim. Não se pode resolver o problema só do ponto de vista de colheita de lixo.
Despejo em Tongzhou
Aterro em Tongzhou
Lixeira nas estradas, Tongzhou
Autor(a) do artigo: Leslie Hook
Publicado em Financial Times
Traduzido por: Fenix

Outros problemas que China enfrenta actualmente:
O Fosso entre os Ricos e Pobres

Artigo para uso exclusivo no Site do Oriente

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