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Kimono – Roupa tradicional do Japão

O kimono japonês é um dos trajes tradicionais mais conhecidos do mundo. A palavra kimono significa “coisa de vestir” (kiru = vestir; mono = coisa), e até ao meado do século XIX foi a roupa usada por todos no Japão. Porém, isso começou a mudar-se lentamente com a importação de vestuários e outras modas ocidentais durante a Era Meiji.
Quer para mulheres, quer para homens, existem diferentes tipos de kimono para diferentes ocasiões e estações do ano. Atualmente, é usado por algumas pessoas mais velhas ou artistas tradicionais, Mas, o kimono ainda é bastante usado em ocasiões especiais como casamentos e cerimónias de graduação.

No Ocidente, este traje tornou-se uma das imagens mais simbólicas de Japão, no início do século passado, graças à popularidade das xilogravuras de Ukiyo, a donzela vestida de kimono. Vestir-se de kimono e outros acessórios das gueixas ou maiko ainda é uma das atividades mais populares para os turistas que visitam ao Japão.
Para além da moda ocidental, uma das outras razões para a diminuição do uso do kimono, é o custo, pois existem peças de seda que podem custar mais de 8 mil dólares americanos. Há também a questão de como colocar o traje e amarrar o obi (faixa decorativa), um processo complicado que afasta muitas meninas para o uso do mesmo. Elas geralmente têm de pedir às suas mães para ajudá-las ou fazer curso numa escola de kimono.

O kimono tem sofrido várias mudanças ao longo dos séculos. No período Nara, uma peça chamada kosode (mangas pequenas) foi usada, inicialmente, como roupa interior e mais tarde como um vestuário exterior, tanto por homens e mulheres. Até que no séc. XVIII, a peça evoluiu para o kimono que conhecemos atualmente.
As mulheres usam kimono quando participam nos eventos artísticos tradicionais, tais como numa cerimónia do chá ou ikebana. As meninas e as solteiras usam furisode, um estilo colorido de kimono com mangas compridas e amarradas com obi com uma cor brilhante (faixa). Kimono feito em tecido com formas geométricas simples, chamado komon edo, são mais simples e usuais.
Nos casamentos, os noivos, muitas vezes, passam por diversas trocas no figurino. Um deles é a noiva vestir um shiromuku, um kimono pesado, com bordado branco e uma peruca elaborada. O noivo veste um kimono preto de seda que leva o brasão da família, hakama (saia pregueada) e meias pretas compridas chamado haori.
Para funerais, tanto homens como mulheres usam kimono preto liso. Por vezes, é difícil saber se uma pessoa está indo para um casamento ou um funeral, exceto pela gravata, que é branca para casamentos e preta para funerais.

Tradicionalmente, a arte de vestir um kimono era passado de mãe para filha, no entanto, hoje em dia, existem as escolas que ensinam as técnicas necessárias para os eventos especiais. O primeiro passo é colocar a tabi (meias brancas de algodão), depois coloca-se a roupa interior, um kimono branco, de algodão (nagajuban), que é amarrado com um cinto datemaki, e finalmente o kimono, com o lado superior esquerdo à direita e amarrado com o obi. Sobre o nagajuban, tem a haneri (colar), que fica dentro da gola do kimono. Nos pés, sandálias zori, feitas de palha.
Os kimonos são tradicionalmente feitas de tecidos de seda, mas os de lã ou sintéticos, são usados durante os meses mais frios. Yukata (kimonos de algodão) são usados por ambos os sexos durante os meses de verão e após o banho em onsen (resorts de fontes termais) e ryokan (pousadas tradicionais). Originalmente usado para a casa de banho da classe alta e feito de algodão branco liso, yukata tornou-se popular entre as pessoas comuns. Hoje em dia, yukatas coloridas são habitualmente usados em festivais de verão e sessões de fogos de artifício, principalmente pela parte das mulheres jovens e crianças.

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