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Recessão força empresa alemã a procurar ajuda na China

Em apenas três anos, Puztmeister, uma das maiores empresas internacionais de venda de cimento ficou à beira de falência.
Por quase meio século, a empresa Putzmeister juntamente com o seu arqui-rival alemão Schwing dominaram o nicho de venda de cimento e relacionados. Até 2002, cada uma delas era responsável por cerca de 45% das vendas mundiais de máquinas para a construção, equipamentos essenciais na indústria de construção. No inicio de 2008, Putzmeister havia anunciado o seu recorde de vendas no valor de 1000 milhões de euros, lucro posterior à redução de impostos no valor de 130 milhões de euros, no ano anterior.

 Até aí, a empresa estabelecida em 1959 pelo seu fundador Karl Schlecht, permaneceu líder no mercado de cimento e relacionados com uma quota de mercado de 35% em 2007.
Sany e Putzmeister

O senhor Schlecht, conhecido por exigir regras de trabalho baseado nos 10 mandamentos, permaneceu como uma figura motivadora apesar de ter feito da Putzmeister um negócio familiar. 
Mas após ter registado um prejuízo no valor de 140 milhões de euros em 2009 sendo que metade da queda do lucro deveu-se à crise financeira  e a recessão, a empresa viu-se forçada a vender-se.

O maior problema era de facto os empréstimos bancários que no pior cenário da crise valiam 280 milhões de euros sendo que os maiores credores era o Deutsche Bank e o Commerzbank.
Nobert Scheuch, um veterano da indústria, foi convocado pelos bancos em 2009 para tomar a Putzmeister como chefe executivo e cinco dias antes de Natal, Scheuch tinha acabado de visitar China para procurar por eventuais compradores.

A empresa que surgiu com maior potencial de comprador foi o Grupo Sany, uma empresa chinesa de rápido crescimento no sector de equipamentos para a construção constituída em 1986 por quatro engenheiros chineses. Após enumeras negociações, Sany concordou em adquirir a Putzmeister por 525 milhões de euros.

O presidente e co-fundador, Tang Xiuguo afirmou que ele e quadro de decisão concordam a aquisição sem visitar a sede de Putzmeister e a principal fábrica em Aichtal, no sul de Stuttgart. "Nós sentíamos como se já conhecêssemos a Putzmeister. Eles tem sido os nossos professores nos últimos anos", afirmou o senhor Tang.

Desde a sua fundação como empresa de soldagem, Sany expandiu agressivamente. Começou com equipamentos de cimento para construção baseados em modelos da Putzmeister e Schwing nos meados dos anos 90 e depois focou-se mais noutras máquinas de construção como as escavadoras e guindastes.

David Phillips, director da Off-Highway Research, uma consultoria em Londres, afirmou que a Sany era a empresa chinesa de construção mais temida em termos de rivalidade para as empresas internacionais neste ramo, como a Caterpillar (empresa americana) e a Komatsu (empresa japonesa). De acordo com o senhor Phillips, por trás está a devoção da Sany pela qualidade, uma enorme capacidade de fabrico e ainda uma sofisticada divisão financeira (a empresa oferece boas condições de crédito).

Liang Wengen, um dos fundadores de Sany, foi considerado pela revista Forbes como o segundo homem mais rico da China com uma fortuna estimada em 8.1 mil milhões dólares americanos.
A empresa registou a sua maior subsidiária na bolsa de Shanghai em 2003 apesar dos fundadores reterem o controlo do negócio em geral.

Por trás do rápido crescimento da Sany está a massiva expansão no sector da construção na China nos últimos 5 anos o que significa que este tem sido o principal destino da venda das máquinas para a construção. 

Putzmeister tinha tentado entrar no mercado chinês através do estabelecimento de uma fábrica e um posto de vendas em Shanghai mas confrontado com os rivais chineses não foi bem sucedido. No ano passado a Putzmeister tinha apenas uma quota de 2% no mercado chinês. 

Em 2011, 90% das vendas (cerca de 13 mil milhões de dólares americanos) da Sany vinham do mercado chinês e dos 65 000 trabalhadores apenas 3000 postos de trabalho estão fora de China.

Autor: Peter Marsh
Traduzido por: Fenix
Artigo para uso exclusivo no Site do Oriente

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