Conhecida pela sua grandiosidade populacional, a China acolhe cerca de 1,3 mil milhões de habitantes divididos em 56 etnias, sendo a Han a maior de todas correspondendo a 90% da população e os restantes 10% às minorias.
Etnia Miao
Miao é uma das 55 nacionalidades que pretende sobressair num país onde reina a diversidade linguística e cultural. Correspondendo a cerca de 5 milhões de habitantes, a maioria encontra-se a residir em Guizhou, e as restantes em províncias como Yunnan, Hunan, Sichuan, Guangdong, Hubei e a região autónoma da etnia Zhuan do Guangxi, no Sudeste da China.
Sendo um dos povos mais antigos da China, estes podem falar inúmeros dialetos, resultado das diferentes características e zonas locais, embora sempre que necessário recorram à língua Han para a comunicação inter-regional.
Como habitantes da montanha, as suas atividades estão diretamente ligadas à terra, sendo a agricultura, a pesca e a caça, a base da sua subsistência.
Um dos aspetos mais marcantes deste povo são os seus maravilhosos trajes de cores e feitios diversos, podendo estes variar de acordo com o sexo, a idade e a ocasião. Um dos exemplos mais conhecidos pertence às famílias residentes em Guizhou. Os rapazes usam fato azul e turbante na cabeça. As raparigas, turbantes e aquestos de antílope bordados em pontos-chave do corpo como os ombros, as mangas e o peito. As cores vivas e o efeito tridimensional são os pontos fulcrais deste vestuário de peças notáveis e admiráveis. O tema natureza também está bastante vincado, não fossem os Miao um povo das montanhas. Elementos como as flores, os pássaros, os insetos e os peixes são os mais evidenciados.
Num país onde o conservadorismo é um dos aspetos mais marcantes, desengane-se quem pensa que esta característica é mais evidente em províncias de pequena envergadura. Os casamentos são um dos exemplos mais alusivos a esta realidade. Ao contrário do que seria de esperar as famílias assumem um papel secundário, sendo os jovens a decidir com quem pretendem casar-se.
Como povo festivo que são, costumam organizar grandes festas ao longo do ano, sendo as mais conhecidas a do “Ano Novo” que contrariamente às restantes etnias, celebram no mês de outubro, depois da colheita de outono, onde touradas, provas típicas, dança e música, são elementos imprescindíveis. Outra igualmente sabida é a festa dos “Barco-dragão” que decorre durante o mês de junho. Nesta época, os habitantes costumam concentrar-se à beira dos rios, ao som de tambores e muito fogo de artifício, enquanto os barcos realizam diferentes regatas ao longo da margem.
Uma das suas outras particularidades é o seu gosto pelo canto e pela dança, tal como o seu plurismo oral, refletido nas suas canções. O coro também é muito popular, especialmente, nas províncias de Guizhou e Yannan. Os seus tons vibrantes, e emotivos refletem o carácter espontâneo e alegre deste povo montanhês.
Referindo já algumas das atividades mais praticadas pelos Miao, sem dúvida que a mais efusiva é a tourada, um costume essencialmente ocidental.
Em países como Portugal e Espanha estamos acostumados a que as touradas sejam uma disputa direta entre o touro e o toureiro. No entanto, para estes o confronto decorre entre dois touros. O público tende a gritar e a aplaudir incentivando o conflito entre os dois animais até resultar no ferimento ou morte de um dos dois.
Não deixa de ser irónico constatar as familiaridades existentes em pequenos detalhes do dia a dia deste povo com o de muitas populações ocidentais. Independentemente da razão, sem dúvida, que o aspeto mais extraordinário desta população está na sua simplicidade agradavelmente confortante. Aconselho todos o que queiram visitar os países do Leste, a fazer uma paragem nas terras dos Miao e deixarem-se envolver no seu ambiente festivo.
Artigo escrito pela colaboradora Vanessa Cardoso. Quem tiver interesse em colaborar connosco saiba mais aqui.
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