Avançar para o conteúdo principal

A relação dos chineses com os logotipos

Num modo geral, os chineses adoram carregar um logotipo pendurado ou estampado em qualquer lugar que o mostre como o dono daquele objeto de consumo e a sua marca. Na realidade isso é uma característica de quase todos os asiáticos.
Mais do que ostentar uma marca e obter um ‘status’ agregado ao seu poder de compra, existe uma ligação intrínseca com a logomarca. Este impacto é relativamente menor no cérebro dos ocidentais. Para os chineses o logotipo tem uma similaridade com o ideograma que é complicado para um ocidental entender num primeiro momento.

O cérebro de um ocidental executa operações aditivas. Quando lê, junta as letras para se tornarem sílabas e as sílabas em palavras, produzindo assim, o significado final. Claro, que tudo isso é automático. É um processo matemático longo contando com o lado esquerdo do cérebro, que contêm a lógica.
Para os chineses, as coisas são muito diferentes. Eles precisam de associar significado com desenhos conhecidos, que designamos de ideogramas.
Então e o que os logotipos têm a ver com isso? Bem, o cérebro funciona por rotinas, por hábitos… Para um chinês que não estudou o alfabeto, entender a junção das letras em sílabas e depois em palavras, é tão complicado como para um ocidental entender os caracteres. Isto porque o alfabeto romano não se encaixa no seu sistema ideográfico.
Como logotipo é um desenho, para os chineses tem um conceito muito mais próximo da sua realidade de ideogramas, que formam os caracteres. O ideograma representa um conceito e não, um simples desenho. Vamos usar o desenho de uma árvore. O ocidental vê um tronco, alguns galhos, folhas e frutos.

Agora vamos pegar o ideograma chinês que representa a árvore 木 (mù): que mostra o tronco, galhos e raízes, ou seja, algo que não costumamos ver – as raízes – mas são uma parte inerente da árvore. Temos, portanto, o conceito de uma árvore, e não a sua representação ilustrada. A escrita chinesa é lida com simbolismo, e não com a reprodução da realidade visível.
Como logotipo é o símbolo de uma marca, transmite ao consumidor a sua presença e o seu conceito. Os logotipos são versões ocidentais de ideogramas. Podemos dizer, que eles partem de um processo muito parecido com o do pensamento chinês. Neste sentido, a mente chinesa não irá identificar claramente as letras, mas o símbolo e associa-lo a uma marca, juntamente com o seu mito.
Deste modo, os logotipos são bem adaptados para o cérebro chinês, que tem muito mais facilidade de usar o hemisfério direito. Este cérebro olha para um logotipo como uma imagem simbólica, e não um conjunto de letras caligrafado. Aqui está o segredo do impacto do logotipo na mente asiática. Tem mais a ver com a maneira como as suas mentes funcionam do que propriamente o desejo de mostrar o poder.
Surge assim também a explicação do porquê da imitação de logos famosos, como o chinês não lê (nos padrões ocidentais), o que fixa é o desenho. Então quanto mais semelhante for o desenho, mais consumidores dessas marcas atraem.

Na minha opinião, nem se trata de uma marca falsificada. O que eles copiam é a ideia do logotipo (incluindo cor, forma e tamanho…), registam-se legalmente e os seus produtos saem com a etiqueta da sua marca. Qualquer semelhança é uma mera coincidência.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

China: a geração fast food

O povo chinês sempre teve a fama de ser um povo magro, porém a situação alterou-se de uma forma alarmante. De acordo com os dados recentes das autoridades chinesas, mais de 25% da sua população adulta está acima do peso normal, enquanto os dados de subnutrição no país ficam em torno de 13%. Um facto interessante é que, em toda a História da China sempre houve períodos de fome extrema, que inclusive contribuíram para a existência de alguns hábitos alimentares tão estranhos. Hoje em dia, a maioria dos chineses não deixaram de consumir a sua comida tradicional, mas incorporaram a dieta ocidental nos seus hábitos alimentares, os fast foods (que os chineses também criaram os seus) e alimentos que antes não chegavam nem perto da mesa de um chinês. Um exemplo elucidativo disso é que, em muitas ocasiões já há mais chineses a comerem nos restaurantes ocidentais (italianos, espanhóis, brasileiros, alemães, etc…) do que estrangeiros. Mais poder de compra da população e paladar mais aberto ao qu...

Conheça o melhor jogador de poker do Japão

Engana-se quem achar que o Poker é um jogo exclusivamente ocidental, afinal de contas jogar poker requer concentração, foco e estudo – características abundantes na cultura oriental e que faz parte das características de Naoya Kihara. Naoya Kihara é um jogador de poker que vem se destacando nos torneios de poker profissional em toda a Ásia. Foi o primeiro jogador japonês a ganhar um bracelete da Taça do Mundo de Poker. Com o bracelete de campeão, Naoya tornou-se um dos mais bem sucedidos jogadores asiáticos. No ano de 2012 ele ganhou o bracelete, um troféu dado aos melhores jogadores de poker, na categoria do caráter “manual” do jogo – e ainda levou para casa mais de 500 mil dólares, numa mesa composta por jogadores que já eram campeões do tipo Omaha, o segundo mais popular a seguir ao Texas Hold’em). O grande trunfo do Naoya Kihara foi ter vencido um bracelete, mas existem outros jogadores igualmente vencedores no Japão. Masaaki Kagawa é um deles, que já arracadou mais de um milhã...

Receita de Takoyaki

O nome Takoyaki provém das palavras, Tako = Lula e Yaki = Frito, ou seja, podemos chamá-lo de “Bolinho de lula frito” e é uma das iguarias mais populares do Japão. Surgiu pela primeira vez na cidade de Osaka, em 1935, através de um vendedor ambulante chamado Tomekichi Endo. Inicialmente, era designado de Radioyaki, derivado da palavra “rádio”, que na época era um aparelho eletrônico no seu auge. Segundo os japoneses, Endo ter-se-á inspirado no famoso bolinho da cidade de Akashi, Akashiyaki, cuja massa era feita de ovos e carne de polvo. A popularidade começou em Kansai, mas de pressa se espalhou para o resto do país, tornando-se um dos alimentos mais vendidos em Yatai (barraquinhas de comidas de rua). Actualmente, há muitos restaurantes especializados em Takoyaki, também pode-se comprar em vários locais no Japão, tais como mercados, barracas de rua e até em lojas de conveniência. A panela de ferro usada para fritar o takoyaki tem o nome de Takoyakiki. Receita de Takoyaki – ingre...