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A celebração do primeiro mês de vida na cultura chinesa

Na China vivem mais de 1 300 milhões de pessoas, ainda assim, a gravidez e a chegada de um bebé é um acontecimento de extrema importância na família. Tal como no ocidente, existe a preocupação com a preservação do nome da família, da “continuidade da vida”, afinal todos gostariam de ver os seus filhos terem filhos um dia.
No entanto, quando uma chinesa fica grávida, todo o cuidado é pouco com a saúde do bebé e da mãe. Por exemplo: as grávidas não podem usar maquilhagem, saltos altos, subir demasiadas escadas, carregar coisas pesadas e etc… As que trabalham em escritórios usam um avental de proteção contra a radiação, parecido com aqueles de raio X, mas não tão pesado, claro. Depois do parto, existe toda uma alimentação especial. Fora a convalescênça, um período designado por ‘zuó yué zi’ 坐月子, que literalmente quer dizer reclusão: um mês sem sair da casa (só em casos extraordinários) e sem tomar banho, de preferência sem levantar da cama, para garantir a boa saúde dela no futuro. Sim, na China, a modernidade e costumes arcaicos convivem juntos, em harmonia. São paradoxos com que nos deparamos todos os dias.
Porém, a explicação é que a mãe deve manter-se o mais ‘aquecida’ possível, consumindo alimentos quentes, ricos em ferro e cálcio, sempre a usar meias nos pés e longe de correntes de ar para prevenir-se de uma constipação ou alguma infecção. Quanto ao banho e a lavar os cabelos, a teoria é que com o banho ela poderá absorver muita água, ficar vulnerável ao choque de temperatura, consequentemente, apanhar uma constipação. Lavar os cabelos também não é recomendado, porque acredita-se que isso poderá causar dor de cabeça.
Obviamente que o bebé também não pode sair de casa neste período. Geralmente, uma das avós cuidam da casa e da criança para que a mãe se recupera do parto. Os cuidados para que o bebé não contraia uma constipação ou qualquer outra doença são mais rigorosos ainda. Eles têm o costume de ‘embrulhar’ o bebé em tantas mantas, o máximo que poderem. Vemos pequenos ‘pacotes’ com as bochechas vermelhas, quase explodindo de calor.
Ao completar os 30 dias, é preparada uma grande celebração, Celebração de Um Mês, que indica que o bebé sobreviveu a 4 luas (celebração da lua cheia). Nesta festa é que a família conhece oficialmente a criança, levando presentes e oferece os tradicionais símbolos de boa sorte chineses. Os pais distribuem os ‘ovos tingidos de vermelho’ que simbolizam harmonia, fertilidade e prosperidade e gengibre, que é o equilíbrio. Se for menino, deve-se distribuir os ovos em números ímpares e se for menina em números pares. Há também a celebração dos 100 dias, que tem os mesmos moldes, mas não consigo recordar-me exatamente se as duas representam a mesma coisa, pois, já são muitos anos a viver na Europa. O que entendi é que antigamente acreditavam-se que se o bebe superasse os primeiros 100 dias de vida, ele não correria mais riscos da mortalidade infantil, mas esta celebração já não é muito comum.
A celebração do primeiro mês de vida é a mais importante para o bebé, mais do que qualquer festa de aniversário, embora, o primeiro aniversário seja também o mais festejado de todos. Algumas idades possuem celebração especial, tais como 50 anos, 60 anos, 70 anos e etc… por ser tratarem de aniversários redondos e em fases avançadas de vida. Atenção, não estou a chamar velho a ninguém. :)

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