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Saiba o significado de cada cor na cultura chinesa

Na China, além dos hábitos como não colocar guarda chuva em cima da cama, não colocar dinheiro em cima da mesa de refeição, não deixar sapato virado, etc… existe a questão dos sons, se duas palavras têm o som parecido, e uma delas for de ‘mau agouro’ segundo os chineses, a outra palavra cai em desgraça. O número quatro e a palavra morte é um dos exemplos mais famosos. Assim, os prédios não têm o quarto andar, telefones com o número quatro são mais baratos, dia quatro não se casa e por aí diante.
Quando se trata das cores, a coisa não é diferente. Só que aqui no ocidente, também atribuem ‘poderes’ às cores, mas o que é intrigante em relação a elas, é que os significados são completamente diferentes. Baseado no Taoísmo (aqui entra a medicina, feng shui e outras tradições chinesas), tudo parte dos cinco elementos, que são água, fogo, madeira, metal e terra, nesta ordem correspondem respetivamente ao preto, vermelho, azul e verde (juntos), branco e amarelo. Os chineses entendem que a cor alimenta o espírito e expressa a profundidade da experiência humana.

Cor vermelho – Hongsè
Na China – fortuna, alegria, bom, brilhante, verão, sul. No Ocidente – perigo, proibição, guerra, paixão.
A influência do vermelho na China é tão forte que as noivas costumam usar vermelho (em vestidos com padrão ocidental), os bebés usam ‘amuletos’ e roupas vermelhas,

Cor amarela – Huangsè e Cor dourado – Jinsè
Na China – imperador, terra, centro e China. Enquanto no Ocidente – precaução, inveja, avareza, covardia.
Para os chineses, o amarelo corresponde a terra, considerada a cor mais bonita e de prestígio. Associado com, mas classificado acima do castanho em termos de ‘prestígio’, amarelo significa neutralidade e boa sorte. É combinado com vermelho no lugar do ouro.
Amarelo foi a cor da China Imperial e é tido como a cor simbólica dos cinco imperadores lendários da China antiga, decorando palácios reais, altares e templos. Na época imperial, somente o imperador tinha o direito de usar o amarelo nas suas roupas. Amarelo também representa a liberdade das coisas mundanas, portanto, é usado no budismo.

Cor azul – Lánsè e Cor verde – Lüsè
Na China antiga, estas duas cores eram uma ‘mistura’, agrupando os tons de azul aos de verde sob o nome 青(qing), que deriva da ideia de vegetal e representa à natureza e a renovação, vigor e vitalidade. Por norma, verde está associada a saúde, prosperidade e harmonia. Só que boné verde representa infidelidade.
No ocidente, as duas cores só representam coisas boas, tranquilidade, natureza, harmonia…

Cor branco – Báisè
A cor branca representa o ouro e simboliza o brilho, pureza e plenitude, mas também é a cor do luto, associada com a morte e é usada predominantemente em funerais. Antigamente, usava-se somente roupas brancas e chapéus quando choravam pelos mortos.
No Ocidente é a pureza, a plenitude também, mas nada relacionado com funerais.

Cor preto – Heisè
Na China, corresponde a água e é uma cor neutra. O I Ching ou Livro das Mutações, considera o preto como a cor do céu. O símbolo do Yin e Yang, usa preto e branco para representar a unidade. Antes da dinastia Tang, preto era considerado como o rei das cores e honrado de forma mais consistente do que qualquer outra cor. Era esta a cor usada em tudo, desde roupas até utensílios. Hoje o preto é usado como qualquer outra cor, sem a nobreza, que perdeu para o vermelho, mas também sem o estigma de ser a cor dos funerais.
No ocidente, preto sempre foi associado ao luto, mas todos sabem que não há nenhuma mulher que não tenha no guarda roupa, um pretinho básico (mesmo não gostando muito da cor). Também representa a austeridade e a discrição.

Hoje em dia, com tanta influência ocidental, alguns padrões acabam por se incorporar na sociedade chinesa. Num modo geral, o que diferencia entre o ocidente e o oriente, neste caso a China, é a dimensão do significado cultural e o peso que cada cor exerce na sociedade. A lição mais importante que aqui fica é que os códigos, sinais, hábitos, são muito específicos de cada cultura.

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